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Como ter e melhorar meu foco?

Nesta série de artigos iremos conversar um pouco sobre como conseguir melhorar a qualidade do nosso aprendizado. A série será composta por 5 posts, eles serão: 

Sem foco é impossível ter uma sessão de estudos de qualidade. Isso acontece pois a compreensão e memorização são atividades complexas, que demandam muito de nosso cérebro. Nesse artigo exploraremos formas de melhorar nosso foco.

O que é foco?

A palavra foco é um substantivo masculino que pode significar Ponto mais importante ou principal de”, “Ponto central que dá origem a”. 

Neste post abordamos o foco como atenção. Ou seja, a capacidade que uma pessoa tem de perceber e processar um conjunto de estímulos enquanto filtra outros. 

Segundo a visão de Willian James, criador do livro The Principles of Psychology, atenção é: 

The taking possession by the mind, in clear and vivid form, of one out of what may seem several simultaneously possible objects or trains of thought”. 

Traduzindo: 

“Optar, de forma clara e vívida,  por uma linha de pensamento ou objeto em detrimento de outros”.

Por mais que existam outras formas de definir o foco/atenção, essa é a que utilizaremos neste artigo.

Como melhorar minha atenção?

Acredito que a grande maioria das pessoas gostaria de ter mais atenção. Porém, ainda não temos uma pílula mágica para isso. 

Hoje, a melhor forma de melhorarmos nossa atenção é através da saúde. Cuidando do nosso sono, alimentação e exercícios.

Porém, além do autocuidado, ainda existem outras formas de desenvolvermos nossa atenção. 

Vamos explorar algumas técnicas? 

Meditação

A meditação é uma prática ancestral. Com o propósito de nos ajudar a desenvolver nossa percepção do presente. Para isso, ela busca, através do relaxamento, fazer com que tenhamos um foco maior em alguma atividade escolhida. 

Existem 2 principais tipos de meditação. A meditação de foco e a de monitoramento. 

Na meditação de foco o praticante escolhe um estímulo central, como a respiração. Durante o processo de meditação ele terá o objetivo de contemplar apenas o estímulo escolhido.

Já na meditação de monitoramento o praticamente busca perceber todos os estímulos. Deixando que sua atenção flua entre os diferentes pontos de interesse criados pelo seu organismo. 

Neste artigo é demonstrado como a meditação ajuda em atividades que exigem atenção. O estudo foi realizado com base no teste de Stroop. Nele foram selecionados 39 participantes, dos quais 20 eram praticantes regulares de meditação.

Os praticantes realizavam as duas formas de meditação, de foco e monitoramento.

A conclusão do estudo foi positiva. Nela os autores propuseram que a prática de meditação ajudou a desenvolver a habilidade de atenção e controle de impulsos dos praticantes. Isso foi observado com resultados superiores nos testes e uma menor ativação de regiões no cérebro.

Mesmo que mais estudos sejam necessários. Esse é apenas um, dos muitos, estudos que apontam a meditação como forma de desenvolver e melhorar nossa atenção.

Caso queira se aprofundar mais no assunto da meditação, lançamos o primeiro artigo de nossa série sobre meditação transcendental. Nele, avaliamos os benefícios da meditação.

Ainda que cheia de benefícios, a meditação não altera nossa percepção da tarefa. Fazendo com que algo monótono continue sendo chato. 

Será que existe algo que pode ser feito para mudar/amenizar isso? 

Estímulos

Nosso cérebro precisa de estímulos. Dessa maneira, é ilusório lutarmos contra a natureza e pensarmos ser possível passar 24 horas com atenção plena em uma tarefa monótona/tediosa. 

Somos humanos, logo, temos limitações. Compreender nossas limitações e criar estratégias para combatê-las é mais sensato do que ignorá-las. 

Neste artigo foram analisadas formas de aumentar a atenção em tarefas monótonas. 

Existem tarefas, com poucos eventos, que demandam atenção constante. Monitorar câmeras de segurança de um condomínio é um exemplo. 

A execução deste trabalho, com qualidade e por longos períodos, é algo complexo de ser atingido. Por isso, o estudo buscava formas de torná-lo mais atrativo a seus executores.

Foram utilizadas 2 metodologias distintas:

  1. Uma remuneração maior por evento identificado.
  2. Adição de eventos secundários/fictícios.

Foi utilizado o jogo “Find the animal” para simular essas atividades. Ele é composto por 4 quadrados, em cada um deles existe a foto de um animal, a cada 4 segundos mudam os animais. 

Cada teste durou 40 minutos.

O evento central era identificar o momento em que o Pato apareceu. O evento secundário/fictício, adicionado na metodologia B, foi a identificação da Cabra.

É importante destacarmos que os eventos aleatórios foram inseridos de 3 formas distintas:

  1. Uniforme
  2. Aleatória
  3. Algorítmica

O estudo contou com 570 pessoas, com idades entre 21 e 60 anos.

Ao final do estudo foi identificado que adicionar eventos secundários garantia uma maior identificação do evento central, com um gasto inferior.

Através da metodologia A ( puramente monetária ), era necessário um bônus de $2,00 para se atingir 76% de identificação do evento primário.

Já com a metodologia B ( eventos secundários ), foi necessário um bônus de $0,50 para se atingir 83% de identificação do evento primário. 

Ou seja, se uma empresa usasse a metodologia B para remunerar seus funcionários. Poderia pagar 4 funcionários, enquanto outra empresa, apoiadora da metodologia A, pagaria apenas 1.

Legal, mas o que isso significa?

Antes de tudo, é importante deixar claro que essa é minha visão pessoal. 

Minha interpretação é de que estímulos são essenciais às atividades. Muitas vezes estudar acaba sendo monótono e, por isso, ficamos dispersos e paramos de prestar atenção.

Existem vários eventos secundários/fictícios que podem ser criados para deixar a atividade mais interessante. Eu uso 2 formas para remediar esse problema. 

A primeira, manter uma folha de hortelã na boca. O sabor do hortelã, quando eu o noto, me ajuda a voltar minha atenção à tarefa, empurrando para longe linhas de pensamento em que eu estava investido.

A segunda, ouvir músicas simples em um volume baixo. A música torna a atividade um pouco mais complexa de ser executada. Por isso,  preciso me esforçar mais para prestar atenção. 

Como consequência, pensamentos de preguiça/cansaço/tédio apareciam menos vezes em minha cabeça.

Mas, será que ouvir música enquanto estudamos não é prejudicial?

Sons e atenção

Diferentes atividades demandam diferentes níveis e formas de atenção. Por consequência, os efeitos dos estímulos são variados.

Neste artigo foi feita uma breve revisão das pesquisas que avaliam a relação entre sons e a atenção. Este trabalho é importante pois condensa conhecimentos que possuímos até a data de sua criação (1991).

O primeiro grupo de estudos fazia a correlação entre sons e atenção continuada. Os resultados encontrados apontam que tarefas de monitoramento que envolvem o uso da memória são, de fato, impactadas negativamente por sons. 

Porém, como veremos mais à frente, a natureza da tarefa tem uma relação direta com o efeito da adição de estímulos sonoros. E, por isso, não poderíamos bater o martelo e dizer que sons diminuem a atenção.

O segundo grupo de artigos utilizou a tarefa five-choice serial reaction time. Os dados do estudo de Broadbent (1979) demonstraram que, quando expostos a sons acima de 95 db por um período superior a 30 minutos, indivíduos cometiam mais erros nos testes.

Mesmo que a intensidade sonora escolhida seja alta, estudos mais recentes conseguiram replicar os resultados com sons mais baixos (75 db). Porém, o número de erros só aumentava quando indivíduos ficavam sob o efeito dos sons por um período de 5 horas.

No terceiro grupo de estudos, foi notada uma discrepância.

Enquanto o estudo de Broadbent (1971) sinalizava que a adição do estímulo sonoro fazia com que a atenção, em elementos de alta probabilidade, fosse aumentada. 

Estudos subsequentes não foram capazes de replicar estes dados. 

Sinalizando que avaliar a performance como algo mecânico era inadequado. Sendo mais sensato considerar como os sons impactam na escolha da estratégia ao invés de considerar apenas a performance.

O Quarto grupo de artigos olhou diretamente para essa questão. Neste grupo foram levantados pontos importantes, que evidenciam que sons influenciavam, diretamente, as técnicas selecionadas para realização das atividades.

No estudo de Pollock e Bartlett foi identificado que os sons tinham, apenas, um impacto inicial na performance. Sendo assim, quando os participantes do estudo se acostumaram com o som, seus resultados se normalizaram.

Além disso, no estudo de Dornic & Fernaeus, foram encontrados dados que apontam que os sons tornavam os participantes menos flexíveis. Ou seja, quando expostos a estímulos sonoros, os participantes possuíam uma maior dificuldade em mudar as estratégias utilizadas para solucionar problemas.

Então, posso estudar ouvindo música?

Antes de tudo, é importante deixar claro que essa é minha visão pessoal. 

Bom, como foi possível observar no artigo. Definir se o estímulo impacta na performance é algo mais complexo do que o óbvio. Vários fatores, como tarefa, intensidade, duração e estratégia, precisam ser levados em consideração para se fazer essa afirmação.

Tendo isso em vista, a música em uma altura razoável/baixa, para grande parte das tarefas, não será razão de uma má performance. 

Ela influenciará na escolha dos mecanismos para execução da tarefa. Porém, isso não significa que os resultados serão positivos ou negativos.

É importante compreender o que funciona, ou não, para você. Como eu disse anteriormente, escuto música quando me sinto pouco estimulado. 

Isso me ajuda a elevar a complexidade da tarefa e afastar pensamentos de tédio/preguiça.

Por isso, você precisará testar e compreender quando e como se sente melhor estudando. 

Conclusão

Existem inúmeros outros estudos que podem ser analisados e levados em consideração. Entretanto, devido a extensão deste post, não iremos mais a fundo. Se você tem interesse em continuar essa pesquisa esse é um bom caminho.

Neste post exploramos algumas formas de desenvolver nossa atenção. 

Falamos sobre a meditação e como, a longo prazo, ela pode aumentar nosso controle sobre nossos impulsos e tornar o “prestar atenção” menos custoso.

Também vimos como a adição de estímulos secundários pode tornar uma tarefa mais interessante. Ou seja, quando estudar for muito monótono/entediante, podemos adicionar outros estímulos para aumentar a complexidade da tarefa e nos beneficiarmos disso.

Por fim, analisamos a relação entre sons e atenção. Neste último artigo foi possível notar como a atenção é complexa. Sendo impactada por diversos fatores como tarefa, duração, estímulos, estratégia, entre outros. 

Isso nos ajudou a contemplar a questão “ouvir música atrapalha no meu estudo?”.

Minha visão pessoal, com base nos artigos analisados, é que não. A música pode ser utilizada para tornar uma tarefa monótona menos desgastante sem afetar negativamente a nossa atenção.

Em suma, a atenção/foco é algo mais complexo do que aparenta ser. Por isso, ainda existe muito espaço para descobrirmos novas técnicas que tornarão nosso estudo melhor. Se você tem interesse nessa área, não deixe de acompanhar nossos próximos artigos.

O que vem pela frente?

No próximo artigo iremos conversar sobre nossos hábitos. Como eles são formados e o que é necessário para criarmos hábitos saudáveis em nossa vida.

Um questão interessante que responderemos é : Qual é o impacto das emoções sob a criação de hábitos?

Qual a sua opinião? Se quiser ver as informações levantadas, basta clicar neste link.

Referências

  1. Elisa H. Kozasa, João R. Sato, Shirley S. Lacerda, Maria A.M. Barreiros, João Radvany, Tamara A. Russell, Liana G. Sanches, Luiz E.A.M. Mello, Edson Amaro. Meditation training increases brain efficiency in an attention task. NeuroImage, Volume 59, Issue 1, 2012, Pages 745-749, ISSN 1053-8119. Doi: https://doi.org/10.1016/j.neuroimage.2011.06.088
  2. Elmalech, A., Sarne, D., David, E., & Hajaj, C. (2016). Extending Workers’ Attention Span Through Dummy Events. Proceedings of the AAAI Conference on Human Computation and Crowdsourcing4(1), 42-51. Retrieved from https://ojs.aaai.org/index.php/HCOMP/article/view/13276
  3. Sidhu, P. (2013). The efficacy of mindfulness meditation in increasing the attention span in children with ADHD.
  4. K. R. Subramanian, “Myth and mystery of shrinking attention span,” Int. J. Trend Res. Dev. vol. 5, no. 3, pp. 1–6, 2018.
  5. Smith AP. Noise and aspects of attention. Br J Psychol. 1991 Aug;82 ( Pt 3):313-24. doi: https://doi.org/10.1111/j.2044-8295.1991.tb02402.x PMID: 1954526

39 Comentários

  1. Uma alimentação saudável é muito importante para que possamos ter uma vida mais saudável, exercícios é essencial para nossas vidas..

  2. como atleta sei que o sono é muito importante para uma melhor qualidade de vida, uma noite bem dormida diz muito sobre seu foco onde vc quer chegar, uma boa alimentação faz com que seu corpo consiga fazer bem suas tarefas do dia, dia, tem muitos fatos para melhorar o foco e disposição , isso depende muito do tipo de atividade que vc quer fazer ou desempenhar seja ela física ou mental…

  3. As emoções são uma fonte essencial da aprendizagem, na medida em que as pessoas (crianças, adolescentes, adultos e idosos) procuram atividades e ocupações que fazem com que elas se sintam bem, e tendem, pelo contrário, a evitar atividades ou situações em que se sintam mal.

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